sexta-feira, 16 de março de 2007

O Segredo da Felicidade

Há muito tempo, em uma terra muito distante,
havia um jovem rapaz, filho de um rico mercador,
que buscava obstinadamente o segredo da felicidade.
Já havia viajado por muitos reinos, falado com muitos
sábios, sem, no entanto, desvendar tal questão.
Um dia, após longa viagem pelo deserto, chegou a
um belo castelo no alto de uma montanha.
Lá vivia um sábio, que o rapaz ansiava conhecer.
Ao entrar em uma sala, viu uma atividade intensa.
Mercadores entravam e saíam, pessoas
conversavam pelos cantos, uma pequena
orquestra tocava melodias suaves.
De longe ele avistou o sábio, que conversava calmamente com todos os que o buscavam.
O jovem precisou esperar duas horas até chegar
sua vez de ser atendido.
O sábio ouviu-o com atenção, mas lhe disse com serenidade que naquele momento não poderia
explicar-lhe qual era o segredo da felicidade.
Sugeriu que o rapaz desse um passeio pelo palácio e voltasse dali a duas horas.
"Entretanto, quero pedir-lhe um favor." - completou o sábio, entregando-lhe uma colher de chá, na qual pingou
duas gotas de óleo.
"Enquanto estiver caminhando, carregue essa
colher sem deixar o óleo derramar."
O rapaz pôs-se a subir e a descer as escadarias do
palácio, mantendo sempre os olhos fixos na colher.
Ao fim de duas horas, retornou à presença do sábio.
"E então?" - perguntou o sábio - "você viu as tapeçarias da Pérsia que estão na sala de jantar?
Viu o jardim que levou dez anos para ser cultivado?
Reparou nos belos pergaminhos de minha biblioteca?"
O rapaz, envergonhado, confessou não ter visto nada.
Sua única preocupação havia sido não derramar
as gotas de óleo que o sábio lhe havia confiado.
"Pois então volte e tente perceber as belezas que
adornam minha casa." - disse-lhe o sábio.
Já mais tranqüilo, o rapaz pegou a colher com as duas
gotas de óleo e voltou a percorrer o palácio,
dessa vez reparando em todas as obras de arte.
Viu os jardins, as montanhas ao redor, a delicadeza
das flores, atentando a todos os detalhes possíveis.
De volta à presença do sábio, relatou, nos mínimos
detalhes, tudo o que vira.
"E onde estão as duas gotas de óleo que lhe confiei?" - perguntou o sábio.
Olhando para a colher, o rapaz percebeu
que as havia derramado.
"Pois este, meu rapaz, é o único conselho que tenho
para lhe dar - disse o sábio - o segredo da felicidade está em saber admirar as maravilhas do mundo, sem nunca esquecer das duas gotas de óleo na colher."

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