Apaixonar-se é uma experiência universal, e faz parte de nossa longa viagem de encontro a nós mesmos. É uma viagem excitante, adorável, angustiante e tenebrosa, pois o amor tem várias faces e nem todas luminosas. Para algumas pessoas, a experiência de dissolver-se no outro pode ser particularmente angustiante, pois, na medida em que amam, sentem-se frágeis, expostas temem viver a felicidade da entrega afetiva porque não suportam a idéia de uma possível rejeição. Só que é este medo de rejeição que cria o palco para a dor principal do prazer não vivido por simples fobia. Já para outras pessoas a idéia de perder a identidade e amar acima de todas as coisas é mais do que uma fantasia parece ser um objetivo de vida. Elas anseiam pelo sono entorpecente que ocorre quando nos apaixonamos, e ficam chocadas quando percebem que a história não acaba quando príncipe beija a princesa. Há também o dia a dia que ninguém conta nas fábulas, com os cabelos desgrenhados e olhos remelentos ao despertar, há as contas a pagar e toda uma cota de elementos de realidade que cortam o "barato" dessas pessoas. É importante compreender que não existe vida sem amor. Amor e morte - os deuses. Erros e Tanatos - são as únicas coisas de fato eternas neste universo de impermanências. Há amor em tudo, permeando tudo, átomos se amam formando moléculas e desta forma, não há nada no universo criado que não seja uma manifestação do arquétipo do amor. E isso é pura química. As relações humanas são como químicas: algumas pessoas reagem conosco e novas substancias surgem daí. Outros nos são quimicamente neutras, mas como a qualidade de transformação por reação química é inevitável. Cedo ou tarde acontecerá a você, a mim, a todos nós, por mais que você decida, fundamentado numa decepção temporária “que nunca mais amará novamente”. Amar novamente é inevitável, mesmo que seja um amor sexual, um amor romântico, um amor fraternal ou um amor maternal. Amar de novo é tão certo quanto o sol nasce todo o dia no leste e se põe no oeste. É uma lei da natureza, tão poderosa quanto à gravidade, tão misteriosa quanto à vida e tão inexorável quanto à morte.
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