domingo, 1 de abril de 2007

12 pratos

Um príncipe chinês orgulhava-se de sua coleção de porcelana, de rara quão antiga procedência, constituída por doze pratos assinalados por grande beleza artística e decorativa.

Certo dia, o seu zelador, em momento infeliz, deixou que se quebrasse uma das peças.
Tomando conhecimento do desastre e possuído pela fúria, o príncipe condenou à morte o dedicado servidor, que fora vítima de uma circunstância fortuita.

A notícia tomou conta do Império, e, às vésperas da execução do desafortunado servidor, apresentou-se um sábio bastante idoso, que se comprometeu a devolver a ordem à coleção, se o servo fosse perdoado.

Emocionado, o príncipe reuniu sua corte e aceitou a oferenda do venerando ancião.

Este solicitou que fossem colocados todos os pratos restantes sobre uma toalha de linho, bordada cuidadosamente, e os pedaços da preciosa porcelana fossem espalhados em volta do móvel.

Atendido na sua solicitação, o sábio acercou-se da mesa e, num gesto inesperado, puxou a toalha com as porcelanas preciosas, atirando-as bruscamente sobre o piso de mármore e arrebentando-as todas.

Ante o estupor que tomou conta do soberano e de sua corte, muito sereno, ele disse:
* Aí estão, senhor, todos iguais conforme prometi. Agora podeis mandar matar-me.

Desde que essas porcelanas valem mais do que as vidas, e considerando-se que sou idoso e já vivi além do que deveria, sacrifico-me em benefício dos que irão morrer no futuro, quando cada uma dessas peças for quebrada.

Assim, com a minha existência, pretendo salvar doze vidas, já que elas, diante desses objetos nada valem.

Passado o choque, o príncipe, comovido, libertou o velho e o servo, compreendendo que nada há mais precioso do que a vida em si mesma.
Na encruzilhada silenciosa do destino,
quando as estrelas se multiplicaram,
duas sombras errantes se encontraram.
A primeira falou:
-Nasci de um beijo de luz, sou força, vida,
alma e esplendor....
Trago em mim toda a sede do desejo,
Toda a ânsia do Universo.
Eu sou o Amor!
O Mundo sinto enxágüe em meus pés!
Sou delírio, loucura...
E tu, quem és?
A segunda:
-Eu nasci de uma lágrima.
Sou flama do teu incêndio que devora.
Vivo dos olhos tristes de quem ama,
para os olhos nevoentos de quem chora.
Dizem que vim ao mundo para ser boa,
para dar do meu sangue a quem queira.
Sou a Saudade, a tua companheira,
que punge, que consola e que perdoa...

Na encruzilhada silenciosa do Destino,
as duas sombras comovidas se abraçaram,
e, desde então, o Amor e a Saudade
nunca mais se separaram.
Divino Mestre,
Venho a Ti, confiante, porque sei que bem
compreendes a minha condição humana
e tens para comigo olhares de ternura.
Derramo em teus pés
o precioso perfume da minha vida.
É o resultado do meu constante reflorescer e a
síntese dos incontáveis dons que do Pai recebi.
É meu voto de confiança na tua imensa
misericórdia, depois de observar,
com admiração, tuas palavras e gestos.
É meu retorno a Ti, depois de tantas estradas
percorridas e até caminhos hostis
e agrestes que me feriram,
em minha busca de felicidade,
de harmonia e de paz.

Venho com lágrimas de alegria e gratidão,
pois em Ti encontrei todo o amor
que a minha alma refaz.
Cheguei, Divino Mestre, confiante no teu abraço,
no teu perdão, no aconchego do Teu Coração!

Erros e acertos

Nem tudo nesta vida é alegria e contentamento
Pois é certo que existem os momentos de dor e sofrimento
Mas sempre existe o equilíbrio

Dos bons momentos normalmente tiramos pouco proveito
Nos inclinamos mais a alimentar o imperfeito
Sem darmos conta que é de nosso livre arbítrio

Passamos grande parte da vida nos queixando
De falhas puramente nossas e a nós mesmos condenando
E olhando um amanhã triste e de imperfeições

Perdemos nosso tempo julgando erros por nós mesmos cometidos
Quando na verdade já deveríamos termos aprendido
Que dos erros devemos tirar as lições

É preciso parar e refletir enquanto ainda é tempo
Reclamar é se auto flagelar, é transformar a vida em tormento
É transformar as provações deste mundo em castigo

Nossa passagem por aqui não é ruim como as vezes nos parece
Acreditemos nestas palavras e se inseguros façamos uso da prece
E assim então veremos o quanto de Bem temos recebido.


Warley Figueira Rodrigues

Se pensássemos como animais



Se o homem pensasse como os animais....

Se o homem pensasse como o pássaro...
festejaria cada amanhecer com uma linda canção
Se o homem pensasse como o cavalo...
ultrapassaria os obstáculos com classe, firmeza e determinação.
Se o homem pensasse como o cão...
faria do amor uma constante troca de carinho, lealdade e fidelidade.
Se o homem pensasse como o gato...
teria calma e equilíbrio em qualquer dificuldade.
Se o homem pensasse como a abelha...
constataria que nada se constrói sozinho.
Se o homem pensasse como a formiga...
veria que trabalho e sucesso trilham o mesmo caminho.
Se o homem pensasse como a baleia...
veria a importância do poder da solidariedade
Se o homem tivesse a pureza e a simplicidade de ser dos animais...
a paz mundial deixaria de ser um sonho e seria uma realidade

O avô

Um moço casou-se e seu pai doou-lhe toda a fortuna que possuía.
Para que a queria?
Iria viver com os recém-casados, compartilhar de suas alegrias,
remoçar-se com seus filhos. Assim foi o primeiro ano.

No segundo, já era avô.
Porém, seus achaques cresciam, como também crescia o netinho,
a ponto de chegar um dia em que não podia andar sem apoio.

A nora, vendo-o naquele estado, dizia constantemente ao esposo:
"Se teu pai continua morando conosco, eu também acabo adoecendo.
Não posso mais suportar aborrecimentos...".

O esposo finalmente dirigiu-se a seu pai e disse-lhe:

"Pai, é melhor que te afastes de nós.
Já fiz muito por ti. Sai e vai para onde quiseres".

Respondeu o ancião:

"Filho meu, não me expulses de tua casa!
Sou velho, estou enfermo e ninguém me recolherá!

Retorquiu o ingrato:

"Não é possível. Sai porque minha mulher assim o quer".

"Que Deus te abençoe, meu filho. Partirei, já que assim o desejas;
Porém, ao menos me dá uma manta, pois estou a morrer de frio."

O esposo chamou o filhinho e ordenou-lhe que fosse á cocheira
e desse ao avô uma manta dos cavalos para abrigar-se.

O rapazinho foi ao estábulo com seu avô, escolheu a melhor manta, dobrou-a pela metade
e fazendo com que seu avô segurasse por uma das extremidades, começou a cortá-la!

"Que estás fazendo, netinho? Teu pai mandou que m'a dessa inteira;
Vou queixar-me a ele". E foi.

"Dê-lhe a manta inteira", disse o moço ao rapazinho.

"Isso não", contestou o rapazinho,
"A outra metade quero guardar para dar-te,
quando eu for maior e expulsar-te de casa...".
Onde haja um árvore para plantar,
plante-a você.
Onde haja erro para corrigir,
corrija-o você.
Onde haja um trabalho e todos se esquivem,
aceite-o você.
É muito belo fazer aquilo que os outros recusam.
Mas não caia no erro de que somente há mérito nos grandes trabalhos.
Há pequenos serviços que são bons serviços:
adornar uma mesa,
arrumar livros,
pentear uma criança.

Uns criticam, outros constroem.
Seja você o que remove a pedra do caminho,
o ódio entre os corações
e as dificuldades.

Há a alegria de ser puro
e a de ser justo.
Mas há, sobretudo,
a maravilhosa e imensa alegria de servir.

O menino, o pai e o caminhão

Um dia um velho caminhoneiro chegou em casa todo orgulhoso com seu lindo caminhão que conseguira comprar após 20 anos de trabalho duro...

Entrou em casa e chamou a esposa para ver. Ao chegar na porta, encontrou seu filinho de 6 aninhos martelando alegremente a lataria do reluzente caminhão...

Irado e aos berros perguntou o que ele estava fazendo e no meio do seu furor, martelou impiedosamente as mãos do filho, que sem enteder o que estava acontecendo, começou a gritar de dor...

A mulher do caminhoneiro correu em socorro do filho, mas pouco pôde fazer. Desesperada, conseguiu trazer o marido de volta à realidade e juntos levaram o filho para o hospital.

Passadas várias horas de cirurgia, o médico muito desconsolado e abatido, chamou os pais e informou que as dilacerações foram de grande estensão e que todos os dedos da criança tiveram de ser amputados, mas que de resto o menino era forte e tinha resistido bem ao ato cirúrgico, devendo os pais aguardá-lo acordar no quarto.

Ao acordar, o menino com um largo sorriso, disse ao pai:
Papai me desculpe, eu só queria consertar seu caminhão, como você me ensinou outro dia. Não fique bravo comigo...

O pai enternecido, disse que não tinha mais importância, que não estava bravo e que ele não havia estragado o caminhão.

O menino, com os olhos radiantes perguntou:
Quer dizer que não está mais bravo comigo???
Não... respondeu o pai.

Se estou perdoado, então me diga papai:
Quando meus dedinhos vão nascer de novo?

Calma e Fé

Realmente, não te será possível deter as vítimas da precipitação.
Aqui, é alguém que clama intempestivamente por dias melhores, sem despender qualquer esforço para alicerça-los.
Ali, é o amigo que desiste da tolerância e se desequilibra no espinheiral da irritação.
Mais adiante, é o doente exigindo a própria cura em poucas horas, depois de organizar campo adequado para a longa enfermidade que o aflige.
Com todos esses casos rentearás, inclusive talvez, através de familiares queridos que se mostrem incursos nesses quadros de intemperança mental, a se expressarem por estranhas perturbações.
Lembrar-te-ás, porém, de que a ansiedade negativa, só por si, nunca serviu a ninguém.
A aflição inútil quase sempre apenas mentaliza alucinações suscetíveis de piorar quaisquer problemas, já de si mesmos graves e complicados.
Observa os padrões da Natureza.
A árvore não frutesce sem habilitar-se no tempo para isso.
Por mais vocifere um homem reclamando a luz solar direta num hemisfério em que o relógio aponta a meia-noite, reconhecer-se-á obrigado a esperar pelo amanhecer.
A lâmpada para fazer-se clarão deve ajustar-se à voltagem a que se vincula.
E uma criança, por mais prodígios de inteligência, dos quais dê testemunho, somente abraçará determinadas responsabilidades quando o tempo lhe acrescente madureza ao raciocínio.
Nas provas com que te defrontes, conserva a serenidade da paciência para que te sobreponhas aos impactos inevitáveis do sofrimento que, na Terra, comparece no caminho de todos.
Age e constrói, abençoa e auxilia sempre para o bem, mas não te esqueças de que se não consegues estabelecer a harmonia e a segurança no íntimo dos outros, podes claramente guardar a calma e a fé no próprio coração.

Emmanuel
Sempre haverá um alguém que eu possa alegrar
Sempre haverá a alegria que eu queira cantar

Sempre haverá uma paixão que eu possa viver
Sempre haverá a vida que eu queira saber

Sempre haverá um amigo que eu possa abraçar
Sempre haverá o abraço que eu queira esperar

Sempre haverá uma saudade que eu possa sentir
Sempre haverá o sentimento que eu queira traduzir

Sempre haverá uma criança que eu possa acariciar
Sempre haverá a carícia que eu queira ganhar

Sempre haverá uma flor que me possa enternecer
Sempre haverá a ternura que eu queira ter

Sempre haverá uma ilusão que eu possa sonhar
Sempre haverá o sonho que eu queira realizar

Sempre haverá uma tristeza que eu possa remir
Sempre haverá a remissão que eu queira permitir

Sempre haverá um carente que eu possa ajudar
Sempre haverá a ajuda que eu queira doar

Sempre haverá uma beleza que eu possa ver
Sempre haverá a visão que eu queira merecer

Sempre haverá uma sorte que eu possa jogar
Sempre haverá o jogo que eu queira mostrar

Sempre haverá uma dor que me possa afligir
Sempre haverá a aflição que eu queira exprimir

Sempre haverá uma dúvida que me possa atormentar
Sempre haverá o tormento que eu queira cultivar

Sempre haverá um medo que eu possa combater
Sempre haverá o combate que eu queira vencer

Sempre haverá uma face que eu possa beijar
Sempre haverá o beijo que eu queira dar

Sempre haverá uma verdade que me possa ferir
Sempre haverá a ferida que eu queira omitir

Sempre haverá uma mulher que eu possa amar
Sempre haverá o amor que eu queira ofertar