Um moço casou-se e seu pai doou-lhe toda a fortuna que possuía.
Para que a queria?
Iria viver com os recém-casados, compartilhar de suas alegrias,
remoçar-se com seus filhos. Assim foi o primeiro ano.
No segundo, já era avô.
Porém, seus achaques cresciam, como também crescia o netinho,
a ponto de chegar um dia em que não podia andar sem apoio.
A nora, vendo-o naquele estado, dizia constantemente ao esposo:
"Se teu pai continua morando conosco, eu também acabo adoecendo.
Não posso mais suportar aborrecimentos...".
O esposo finalmente dirigiu-se a seu pai e disse-lhe:
"Pai, é melhor que te afastes de nós.
Já fiz muito por ti. Sai e vai para onde quiseres".
Respondeu o ancião:
"Filho meu, não me expulses de tua casa!
Sou velho, estou enfermo e ninguém me recolherá!
Retorquiu o ingrato:
"Não é possível. Sai porque minha mulher assim o quer".
"Que Deus te abençoe, meu filho. Partirei, já que assim o desejas;
Porém, ao menos me dá uma manta, pois estou a morrer de frio."
O esposo chamou o filhinho e ordenou-lhe que fosse á cocheira
e desse ao avô uma manta dos cavalos para abrigar-se.
O rapazinho foi ao estábulo com seu avô, escolheu a melhor manta, dobrou-a pela metade
e fazendo com que seu avô segurasse por uma das extremidades, começou a cortá-la!
"Que estás fazendo, netinho? Teu pai mandou que m'a dessa inteira;
Vou queixar-me a ele". E foi.
"Dê-lhe a manta inteira", disse o moço ao rapazinho.
"Isso não", contestou o rapazinho,
"A outra metade quero guardar para dar-te,
quando eu for maior e expulsar-te de casa...".
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